Tempo Suficiente
O homem, tal como os outros seres vivos, salvo certas bactérias que podem ser consideradas imortais, não escapa ao trágico final. A cada segundo, morrem 1,7 pessoas no mundo e, para equilibrar a balança, nascem 4,2 bebés. Mas porque razão temos de morrer? Que significado tem a morte? Do ponto de vista estritamente biológico, o único sentido da nossa existência é perpetuar a espécie, e para isso a Natureza concede aos indivíduos o tempo suficiente para que cresçam, encontrem par, acasalem, engendrem prole e, em alguns casos, cuidem dela.
Nunca Eternos
Para levar a cabo as suas tarefas, o homem está geneticamente programado para viver 120 anos. No entanto, ainda que o homem moderno viva em media quase o quádruplo do que vivia um antigo romano, ainda está longe de atingir essa mítica barreira. A média mundial de esperança de vida ao nascer superou há pouco, pela primeira vez, os 65 anos.
Recorde de longevidade
A idade máxima comprovada a que chegou um ser humano foi de 122 anos e 146 dias.
E depois?
Eis o que acontece aos humanos até se tornarem pó:
Agonia: moscas e outros insectos cadavéricos começam a pairar sobre a cabeça do moribundo; as fêmeas depositam ovos nas fissuras dos lábios e das pálpebras;
Morte: cessam as funções cerebrais, paragem cardíaca, falha geral no coração;
Primeiros 30 minutos: o sangue, por efeito da gravidade, deposita-se nas zonas baixas e coagula; o cadáver adquire um tom azulado, devido à falta de oxigénio; os esfíncteres relaxam-se, o que provoca a libertação da urina e dos excrementos;
Uma hora: aparecem as típicas manchas violáceas, ou roxo escuro, da congestão;
Quatro a cinco horas: manifesta-se o rigor mortis, ou morte cadavérica, devido aos processos que ocorrem nos músculos e no sangue;
24 horas: surgem no abdómen manchas esverdeadas; são os primeiros sinais da putrefacção microbiana; esta começa nos intestinos e propaga-se pelos vasos linfáticos; começa a cheirar mal;
48 horas: aparece um líquido incolor, a cadaverina, que resulta da decomposição dos órgãos vitais;
72 horas: fase de gaseificação; as bactérias aeróbicas, que consomem oxigénio, extinguem-se e cedem lugar às anaeróbicas, que não precisam dele para sobreviver;
Uma a duas semanas: os insectos cadavéricos reproduzem-se e alimentam-se dos tecidos moles;
Três semanas: desaparece o fígado:
Cinco a seis meses: desaparecem o coração e o útero
Vários meses: gerações de insectos (mínimo de oito) deixam os ossos limpos;
Anos: ao fim de um ano, o cadáver não passa de um esqueleto, ainda que seja possível que subsistam restos de ligamentos e tendões, assim como fragmentos de vasos sanguíneos; a desintegração dos ossos pode levar mais cinco ou seis anos, ainda que o esqueleto possa conservar-se durante séculos.

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